Waldir Calmon

Promoção de shows de Waldir Calmon em Juiz de Fora, Minas Gerais

     Waldir Calmon tinha uma agenda cheia, dividindo-se entre as gravações, a produtora, os bailes (às vezes, dois por dia) e a sua boate. No entanto, os frequentadores da Arpége reclamavam quando ele viajava e era substituído por outro conjunto, gerando grande insatisfação. Essa rotina desgastante durou até o começo da década de 60, quando Brasília foi inaugurada. A mudança da capital federal do Rio de Janeiro para Brasília foi um divisor de águas na noite carioca. Políticos, empresários e pessoas influentes deixaram o Rio, levando  boa parte do dinheiro que circulava na noite. Na foto ao lado, promoção de shows de Waldir Calmon em Juíz de Fora (Minas Gerais) com a exposição das capas de seus discos e, abaixo, Waldir e seu conjunto fazendo um anúncio na  TV Ceará na década de 60 (clique nas fotos para ampliá-las).

Waldir Calmon e seu conjunto fazendo um anúncio para a TV Ceará.

     A  música também passou por uma grande transformação. No Brasil, a bossa-nova surgia e, no mundo, o rock. A ditadura brasileira trouxe uma reformulação musical mais profunda: as letras tinham papel mais importante e deixaram de ser um mero entretenimento para se transformar em veículo de conscientização das massas. Melodia e ritmo eram relegados a segundo plano - dois dos maiores trunfos do instrumentista Waldir Calmon. Mesmo assim, continuou gravando, mas a vendagem de seus discos começou a cair progressivamente. Em 1962, casou-se com a cantora Marta Kelly e teve seus dois filhos: Márcia e Marcus.  O selo Arpége e a produtora acabaram e, em 1968, a boate fechou. Waldir começou a fazer temporadas pelo Brasil até que, em 1969, o diretor artístico do Canecão, Wilton Franco, convidou-o para animar a casa de shows em Botafogo, Rio de Janeiro. Nessa época, trocou o piano acústico por um órgão Hammond B-3, seguindo a tendência mundial. Na foto abaixo, Waldir, na década de 60, tocando em um baile com seu  Hammond B-3.

Waldir Calmon e seu conjunto fazendo um anúncio para a TV Ceará.
Waldir Calmon e seu conjunto fazendo um anúncio para a TV Ceará.

Waldir Calmon tocando o seu órgão Hammond B3 na década de 60

     Em 1970, gravou o último LP desta fase,  Waldir Calmon e seus Multisons (Copacabana Discos). Em janeiro de 77, após sete anos no Canecão, voltou às viagens. Mas, em abril do mesmo ano, estreou na Churrascaria Roda-Viva, na Urca, Rio. Em dezembro de 78, recebeu uma proposta "irrecusável", como ele mesmo definia, da cervejaria e restaurante Bierklause, no Lido, Rio.  Ficou até maio de 79, quando a direção da Churrascaria Roda-Viva pediu para que voltasse a tocar na casa, fazendo uma contraproposta também "irrecusável".

     Voltou a gravar em 78 e lançou o disco Discoteque - Feito Para Dançar. Em 1980, gravou seu último LP: Feito Para Dançar. Este álbum pareceu um retorno às origens: deixou o órgão e voltou ao piano acústico (que, aliás, preferia tocar). Seu piano era valorizado pelo ritmo e acompanhamento claros - assim como nas primeiras gravações.

      Certo dia, disse-me que jamais deixara de tocar um só dia e que gostaria de morrer trabalhando. "Não conheço nada no mundo tão agradável quanto tocar", explicou-me. Waldir trabalhou até a madrugada do dia 11 de abril de 1982. Pela manhã, reclamou de "umas dores estranhas no peito". Não as levou a sério, pois detestava ir a médicos, e no meio de um passeio com a família teve um enfarte fulminante. Estávamos indo comemorar o dia da Páscoa.

       

1.Caminhos Tortuosos

Colhendo os Louros - 1ª Parte

3.Colhendo os Louros - 2ª Parte

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