Waldir Calmon

(caso não esteja ouvindo a música de fundo, Mambo en España, clique aqui)

 

     Waldir inovou e lançou o LP com um lado ininterrupto de música, sem intervalo entre as faixas, ideal para festinhas em casas de família. Criou um estilo próprio de tocar piano, com seus solos em oitavas, que tornava o seu som inconfundível. Chegou a lançar seis LPs por ano e era comum ter três ou quatro de seus discos simultaneamente nas paradas de sucesso. Entre reedições, lançamentos e compactos extraídos de LPs são cerca de 130 títulos.

     Ao lado, relação dos mais vendidos (1956). À esquerda, os long-plays e, à direita, os compactos 78 rpm. Waldir Calmon aparece com três LPs nas paradas: Feito Para Dançar n°5 (1º lugar), Feito Para Dançar n°3 (3° lugar) e Feito Para Dançar n° 4 (7° lugar). O texto da matéria diz: "Registramos, com prazer, a volta de um nacional ao primeiro posto da tabela dos discos de 78 rotações. Altamiro Carrilho, o grande flautista, é o herói com o disco Jura. No entanto, os nove seguintes são estrangeiros, confirmando a decepcionante proporção de 9 sucessos estrangeiros para um brasileiro. Os Pobres de Paris, que teve uma longa vida na primeira colocação, passou para segundo. Entre os long-plays, como já chamamos a atenção no número anterior, o rei é Waldir Calmon que figura, como de costume, com três discos da série Feito Para Dançar.

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     É também surpreendente a longa carreira do long-play Ama-me ou Esquece-me que vem se mantendo há alguns meses nas primeiras colocações." A pesquisa foi feita nas lojas: Brasileiras e Barbosa Freitas (ambas em Copacabana), Ramos Elétrica (Ramos), Mesbla da rua do Passeio,  Casa Palermo (13 de maio) e Rei da Voz (as três no Centro do Rio de Janeiro).

Waldir Calmon e Ângela Maria

Waldir Calmon e Ângela Maria

Nesta época, gravou com a cantora Ângela Maria o LP Quando os Astros Se Encontram (Copacabana Discos, 1958). Sempre atento às novidades, sugeriu à Ângela que interpretasse uma canção mexicana pouco conhecida no Brasil e ainda que fizesse uns fraseados, aproveitando sua privilegiada extensão vocal. Nascia então um dos maiores sucessos da nossa  "Sapoti": Babalu (Margarita Lecuona). A festa de lançamento do LP aconteceu também na boate Arpège, em nove de maio de 1958, com jornalistas, artistas e amigos de toda a equipe envolvida na gravação. As fotos ao lado estão na contracapa do LP Quando os Astros Se Encontram. Clique nas fotos para ampliá-las.

Waldir Calmon e Ângela Maria

O repertório de Waldir Calmon era composto basicamente por ritmos dançantes e sucessos da época, nacionais e internacionais. "Qualquer música capaz de fazer com que um casal se levante e comece a rodopiar pelo salão me interessa", respondia sempre a quem perguntasse o critério para a escolha de suas canções.

     Em 1955, saiu da Night and Day, após oito anos, e abriu sua própria boate na rua Gustavo Sampaio,  Leme, Rio de Janeiro - a Arpège. O sucesso foi tanto que outra série de discos, Uma Noite no Arpège, surgiu. Nomes como  Tom JobimChico Buarque  e  Ary Barroso, entre outros, apresentaram-se em sua boate. Historiadores contam que Vinícius de Moraes foi à boate Arpège assistir a um show de seu amigo Tom Jobim quando conheceu um jovem e talentoso violonista, Baden Powell de Aquino,  que também estava tocando nesta mesma noite. Nessa época, Baden já tinha sido gravado por Lúcio Alves (Samba Triste, parceria com Billy Blanco). Em julho de 1966, o show Meu Refrão, com o conjunto vocal MPB-4 (no começo de sua carreira) e Chico Buarque estreou na Arpège. Dois anos depois, estariam juntos novamente no Festival da Record, cantando Roda-Viva (segunda colocada no concurso). Edson Machado, baterista que influenciou muito a bossa-nova, também começou na Arpège.

     Waldir Calmon e seu sócio, Maurício Lanthos, inauguraram a Arpège (nome inspirado em um perfume francês), em nove de setembro de 1955, com muita badalação na imprensa - clique aqui para ver um dos anúncios. No começo, eram três atrações: o próprio Waldir ao piano, a cantora Diamantina Gomes (sua mulher, na época) e Steve Bernard no órgão Hammond B3 - apesar de pertencer a Waldir, só Bernard conseguia tocá-lo em todo Rio de Janeiro... Esta matéria, na coluna Dicionário Enciclopédico da Noite, de Stanislaw Ponte Preta, (jornal Última Hora,  em 31 de agosto de 1957), conta a história deste Hammond, que foi o primeiro a ser vendido no Brasil, de forma espirituosa.

     Pouco tempo depois, Lanthos vendeu sua parte na sociedade para Agnelo Martins (assistente de produção de Carlos Machado). Já em primeiro de maio de 1956, Agnelo assumia como um dos donos e conduziu de forma brilhante o negócio: a Arpège tornou-se uma das boates da moda graças à sua boa música, ambiente agradável, menu saboroso e preços razoáveis, passando a fazer parte de um seleto grupo de casas noturnas do Rio de Janeiro, todas na região do Leme: Drink (com Djalma Ferreira e, posteriormente, com a família de Cauby Peixoto), Sacha's, Plaza e Fred's.  

     Normalmente, Waldir trabalhava com o conjunto  pequeno, porém, quando solicitado, o grupo crescia e dava lugar à Orquestra Waldir Calmon. Cantores eram  pouco utilizados em discos, mas estavam sempre presentes nas apresentações ao vivo.  O guitarrista Paulo Nunes, que trabalhou com Waldir vários anos, conta que, quando Mílton Banana fez parte do grupo, era um dos percussionistas. Certo dia, Waldir os reuniu e disse que um deles deveria aprender a tocar bateria, pois, naquele momento, estava precisando mais de um baterista do que de vários percussionistas. Mílton então resolveu aceitar o desafio e se tornou um dos bateristas mais importantes do cenário musical brasileiro.

Waldir Calmon e seu conjunto

Ao lado, apresentação do conjunto Waldir Calmon para a televisão com sua formação clássica: piano, baixo acústico, violão semiacústico, bateria e percussionistas. Na foto, observe que o único instrumento amplificado era o violão semiacústico e apenas um microfone, no alto, pegava todo o som do grupo. Clique na foto para ampliá-la.

      Em 1959, formou a Waldir Calmon Produções Artísticas e fundou o selo Arpège que teriam, como primeiro disco, a reedição do vinil Uma Noite no Arpége 3 - já lançado pelo selo Rádio (1956) e Copacabana (1959). Waldir ganhou vários troféus, prêmios e apareceu também em filmes nacionais: É Pra Casar (1953), Com a Mão na Massa (1958), Hoje, o Galo Sou Eu (1958) e no documentário Rio à Noite (1962). Em outros filmes, como em Depois Eu Conto (1956), seu piano fez fundo musical para várias cenas.

Waldir Calmon e uma de suas paixões, os carros

     A vida tinha se transformado para aquele menino pobre: o bonde deu lugar aos novíssimos carros importados; o único terno foi substituído por camisas inglesas, paletós e calças de linho e a velha casa alugada na Tijuca, que dividia com seus irmãos, foi trocada pelos luxuosos quartos de hotéis. Apesar de sua vida basicamente noturna (em boates, teatros e casas de show), Waldir não bebia uma gota de álcool sequer - apenas água e refrigerantes. Fumava muito, mas largou o hábito quando sua primeira filha, Márcia, nasceu. Ao lado, matéria na "Gazeta Esportiva" de São Paulo (1960) e Waldir com uma de suas paixões: os carros. Em sua mão esquerda... o cigarro! (clique nas fotos para ampliá-las).

 

Matéria e caricatura na "Gazeta Esportiva" de São Paulo (1960)

1.Caminhos Tortuosos

2.Colhendo os Louros (1ª Parte)

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4.Novos Tempos

Feito Para Lembrar